Um reflexo, além-mar .

Ela podia ver as pegadas, deixadas na areia. E ele ao longe, de costas pra ela, que o mirava por um espelho. Indo numa direção oposta. O espelho tremia na mão, e as lágrimas embaçavam a visão da garota. O vento soprou frio demais na praia, levando ele, e consigo, o que um dia fora um órgão involuntário - coração. Abriu os olhos. O sonho parecia muito real. Lágrimas escorriam pelo rosto de Liesel. Já fazia tanto tempo, mas ela ainda se lembrava milimetricamente. Não foi numa praia, nem no reflexo de um espelho, mas ela lembrava bem, da última vez que vira Cody. Sentiu um aperto no coração. Aquilo ainda doía, como se fosse ontem. Foi de costas, que ela viu ele ir. Parecia até estar com um espelho, como no sonho. A sensação de dor, daquela terça-feira, 6 de julho voltou avassaladoramente. Ele havia ido, e como no sonho, nem ao menos Lis pudera ver seus olhos, uma última vez. Apenas o reflexo. O reflexo daquele, que era o seu próprio reflexo. Sua 'vida' , não era assim que o chamava ? O tempo havia passado, e nem mesmo os mais próximos, amigos que conheciam a história, entendiam. Como ainda podia existir algo, que de alguma forma, era o que alimentava as energias exaustas de Liesel. Cody Meminger, como eu te amo. Para Liesel, não restavam dúvidas. Estes rastros, deixados no lugar que antigamente ficava seu coração, seriam eternos. Cicatrizes, além-mar.