Dor e indiferença, [não] ocupam o mesmo lugar no espaço.
Como feixes de luz, num deserto á noite. Assim eram as lembranças de Liesel. Feixes que cegavam. Á medida que o tempo passava, Lis se tornava mais fria... não sabia se a palavra certa era 'frieza', á medida que o tempo passava, Liesel concretizava os pensamentos. Pensamentos que estavam criando raízes em seu cerébro e que, quanto maiores as raízes ficavam, mais marcas eram deixadas. Tanto tempo depois, e nem mesmo a própria Liesel entendia. Não tinha valor, mas tinha sentimentos, de verdade... custava valorizá-los ? Não queria valor para si, mas sim para o que estava sentindo... ou que havia sentido. Por vezes, (geralmente ao amanhecer) percebia um vazio, no lugar da fiel escudeira, a dor. 'Logo agora que me habituei' pensava Liesel. Até a dor a deixara. Via pouco sentido nas coisas. Estava diferente. Sem saber e sem querer, involuntariamente, uma segunda pele a revestia. A indiferença.