De olhos fechados, o rascunho final .

Fechar os olhos, era um alívio para Liesel. Um alívio torturador, que não aliviava. Liesel queria chorar, mas nem mesmo as lágrimas tinham forças pra brotar. A cabeça rodava muito. Estivera mal de manhã, mas sem dúvidas, estava muito pior agora. Por dentro e por fora. Depois daquelas meias palavras de Cody, e da forma exata que as coisas se encaixavam como um perfeito quebra-cabeça na mente de Lis, o ônibus chegou. Dessa vez, Liesel não sorriu o manjado sorriso de saudade. Não pediu pra Cody entrar no msn, e nem mesmo fez o olhar carente de sempre, que suplicava que o garoto a puxasse daquele carro, a beijasse e dissesse 'não, hoje o tempo vai te perder pra mim *-* ' Não. Lis não fez nada disso. Nem sequer olhou pra trás ao murmurar um 'tchau' baixinho. Não queria encarar Cody. Choraria se o fizesse. Ensaiaria um choro estranho. De olhos ainda fechados, tentou imaginar tudo. Conseguia ver seu coração se rastejando, aos poucos, via uma mão o levantar e em fração de segundos depois, a mesma mão, empurrava seu coração no abismo de pedras, que dessa vez se mostrava mais fundo. Seu coração, já todo cheio de marcas, ia ter um duro trabalho, pra voltar ao menos a rastejar novamente. Abriu os olhos. Visualizar com detalhes não estava ajudando. Sabia o que pensar. Dor, dor e dor. Liesel havia sido anestesiada por essa já conhecida dor. Entorpecida pelas lembranças, que dessa vez eram recentes, Liesel tentava se convencer de que agora, de fato, ela precisava se desapegar dele. Seria como uma mulher prestes a fazer um aborto, ela sabe que faz mal, sabe que será doloroso, mas tem que fazer. Liesel sabia o quanto doeria desapegar-se de Cody. Já havia tentado.