Como milho, que não estoura, nem vira pipoca. Piruá.

Liesel estava vivendo como uma lagarta, antes de virar borboleta : presa num casulo. Por dentro, estava em cacos. Por fora, por mais que se esforçasse, não conseguia ter uma aparência de alguém feliz. Até mesmo os ensaiados sorrisos de conveniência, já nao convencia as pessoas, acostumadas com a fachada. Era um sorriso frio, com um soluço disfarçado. Uma tristeza sentida nos olhos. Ela dizia que era cansaço, não deixava de ser. A desculpa convencia. Estava mesmo, muito cansada. Cansada de esperar dias melhores. Cansada de fantasmas. Memórias são fantasmas, que assopravam aos ouvidos coisas que Liesel não queria saber. E mais uma vez, o desejo pela morte, lhe parecia a melhor solução. Se existisse alguma forma de vida ou existência, depois da morte, com certeza devia ser melhor que aquilo. Não estava mais cortando os pulsos. Faltava-lhe disposição.
Descobriu que correr riscos, além de ser uma forma de encontrar o desejado fim, era também divertido. Talvez, riria depois. Estava no seu casulo, em processo de metamorfose... mas o que acontece, quando o processo de metamorfose da lagarta, não se completa, e ela não vira borboleta ... ?