Insensibilidade, [não] arde menos que Merthiolate.

Ser insensível não era tão ruim, também não era bom. Por mais imatura que fosse, Liesel estava amadurecendo. 'Vivemos esperando, o dia em que seremos melhores, melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo...' Viu seu reflexo na tela da Tv desligada. Não era mais uma menina, ainda não era uma mulher. Se via como uma garotinha, mas era aquele reflexo, de uma quase mulher, que o mundo via. Fechou os olhos. Fechá-los agora, já não doía. 'Como será que ele está' ' O que ele está fazendo' 'Com quem' ... estes pensamentos flutuavam em seu cerébro. Sorriu. Algo dentro dela, lhe garantia que ele estava bem. Ela estava bem, também, ou parecia estar. Sem dizer adeus, o fiel companheiro, o vazio, tinha ido embora. Era comum que fosse abandonada. Sorriu de novo. Hora ou outra isso ia acontecer... a tristeza estava sendo substituída pela convicção de que as coisas estavam voltando pros seus respectivos lugares. Sem precisar de merthiolate, a ferida estava cicatrizando...