Mais um dia, pra coleção de dias, que chamam de vida. A rotina que se repetia. Liesel estava se sentindo bem, ou talvez seria melhor dizer, normal. Afora o fato de que, frequentar a escola era entediante e tenebroso, porque estava sentindo-se uma alien naquele amplo espaço. Enquanto dava curtos passos, como que pra evitar a chegada a escola, ia pensando em como havia abandonado tanta coisa dentro de si. Havia fugido de si mesma. Pensar assim, desse jeito, era enumerar proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais segura, mais serena, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo. Continuar vivendo, parecia normal. entediante, como a escola. Perguntava-se, o que realmente queria agora. Queria o tudo. Mas o que seria o tudo ? Era preciso ir limitando o sonho, apagando as linhas supérfluas, corrigindo as arestas, até restar somente o centro, o âmago, a essência. Mas o centro era inatingível. Desconhecido. E depois de tanto, ou de tão pouco, o que restara, fora apenas a falta de perspectivas. O vento soprou mais forte, Lis levantou os olhos, havia passado dois quarteirões da escola. Sentou-se na calçada, a caminhada que daria de volta a escola, não a desanimava. Era melhor, chegaria atrasada. Levantou-se, 'há males necessários' pensou Liesel, a escola era um deles. Descobriu qualquer coisa dentro de si que, não sabia exatamente como nem por quê, conseguia mantê-la serena no meio da falta absoluta de perspectivas.
(Texto escrito pela dona do blog, inspiradíssimo no ídolo Caio Fernando Abreu ♥ )
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