Até sempre. Ou não.

P-o-r-q-u-e. Seis letras, que variavam de formas e sentidos. E exerciam os mais diversos questionamentos, na mente confusa, e agora forçadamente limitada de Liesel. E pensar, que há algumas horas, esteve tão perto de Cody, como não imaginara que estaria, depois desses 3 meses e 25 dias. E vê-lo, só reforçou a tese de que, amor como este, ela nunca mais sentiria igual. Porque ele ficava tão bem de azul. Combinava com o contraste de sua pele, morena meio clara e bronzeada. E aquele jeito turrão, não havia mesmo mudado, caía bem também, com o azul. E os olhos de Lis, não cansavam de procurá-lo, e mirá-lo em todos os momentos possíveis, aquilo era necessário. Naquele momento (como em todos os outros) dependia mais dele, do que de si própria. Ele retribuía o olhar, vagamente, disfarçadamente. Como se quisesse evitar o inevitável. Inevitável que ele, no alto de sua supremacia, arrogância e orgulho, conseguiu evitar. Nem ao menos a cumprimentara. Nem um 'oi'. Porque ? Nem mesmo nos momentos em que o que restara de um coração em Liesel disparavam, ao vê-lo se aproximar tanto. Nada. Inexiste, ele dissera uma vez. Cody Meminger, simplesmente ignorava a pessoa para o qual, ele era todo um universo dentro do íntimo infinito particular. Queria abraçá-lo, sentir seu cheiro, que ainda lhe era palpável nas narinas. Rir dele, com ele. Queria lhe dizer o quanto esperara, para vê-lo de novo, contar-lhe da importância que tinha, desmedida. Contar o sonho, que teve na tarde anterior, enquanto dormia depois de ter tomado remédios por causa de uma febre, que chegou depois que soube, que o veria no dia seguinte. Dia este, que havia aberto uma ferida semi-fechada e quase cicatrizada. Que agora sangrava, incontrolavelmente, mas não doía nem ardia. Apenas incomodava. E se antes não tinha uma resposta, agora era ainda mais incerto, ou não. 'Até quando ?' essa já não era mais a pergunta... Até sempre ?