Antes não era melhor, mas dá saudades.
Lutar em segredo, fechada no quarto, sem que ninguém saiba. Para os outros, mostrar só o melhor de si, a face mais luminosa. Uma rotina que não cansava de se repetir. Uma eterna constância. Liesel já havia dado tempo ao tempo. Um prazo suficiente e considerável, pra o senhor-sabe-tudo do tempo, ajeitar e colocar as coisas no lugar. As coisas estavam no lugar, exceto por aquele buraco raso que, antigamente ficava um orgão involuntário. Não o teria de novo, e ainda que o tivesse, não seria mais o mesmo. Então, de nada valeria. Sentia saudades daquele que ela sabia, que não voltaria. Sem ele, melhor seria viver só. A chuva caía com tanta força, que decidiu por não chorar, as nuvens, altivas, faziam isto por ela. 'Até quando ?'. Esta era uma pergunta, para qual ninguem tinha resposta. Livrar-se disto era fácil, quando não parecia necessário.