A inestimável perda do que não se tem.

Dois dias, para dois meses. Tempo exato em que Liesel não via Cody. Não o via fisicamente, porque nos últimos dias, como de costume, ele foi presença constante em seus pensamentos. Queria mesmo vê-lo. Havia desistido da fútil ideia de tentar esquecer. Não tinha forças, ainda mais para perdê-las com tentativas inúteis e repetidas. Talvez, se fizesse o caminho contrário, deixando as lembranças aflorarem, doesse menos. E de tão acostumada com a dor, acabasse por esquecê-lo. Mas era isso que Lis vinha fazendo todo esse tempo, e ainda assim nada havia mudado. Só a dor, que se entorpecera e se tornara mais forte. Liesel desejava agora, viver os momentos que não foram vividos. O futuro, que havia morrido, antes de nascer. Esse vazio era muito pior, o vazio do que não aconteceu. Saudade do gostinho das coisas que não havia provado. Poderia provar todas essas coisas, com outras pessoas, até mesmo imaginariamente. O problema, era que amava Cody Meminger e ela não tinha dúvidas, de que com ele daria certo. Era algo naquele sorriso de aparelho, que completava seu mundo.