O tempo tarda... e falha.

Amanheceu. Mais uma manhã. Mais uma vez, ali estava o incansável que as vezes se cansa, o sol. Debaixo daquele mesmo céu, pensou Liesel, ele está também. Inevitável pensar nele. Inevitável sentir falta. A rotina não mudara, depois dos dois meses. Apenas pelo fato de que a sensação de vazio, por dentro, era muito mais avassaladora agora. Esquisito. Com o tempo, a tendência não seria melhorar... sarar ? Costumavam dizer que o tempo cura todas as feridas... Mais uma piada insana, de pessoas mal-amadas, como Liesel. Mas tudo já era tão estranho e ao contrário na sua vida, que Lis não se dispusera a pensar no assunto. E, mesmo que agora, a saudade fosse assustadoramente dolorosa, precisava se manter firme. Para não demonstrar fraqueza para os que acreditavam na sua lucidez. Precisava se manter firme e distante, aproximar-se agora, poderia atrapalhar a vida de Cody, que parecia muito bem. Pra essa dor, diferente daquela dor de antes, Liesel ainda não havia arranjado nenhum dos seus remédios inúteis. Havia acreditado no tempo, mas ele não se mostrava forte e implacável, como nas piadas insanas das pessoas sem bem-querer. Queria descobrir um xarope pra apagar a memória. E essa saudade doída, trazia uma vontade estranha de ir ver o mar, quem sabe o vento e a maresia da praia, trouxessem a solução que o tempo esqueceu em alguma gaveta.