Porque, depois da meia noite, o barulhinho do ponteiro no relógio é notável.

Tic-Tac. O silêncio era tão intenso na sala, que Liesel podia ouvir o barulho mudo do ponteiro do relógio na parede que anunciava 00:03 da madrugada. Mais um dia estava iniciando, mais 23 horas e 57 minutos pela frente. Os dias, as horas, o tempo, haviam perdido o sentido. Estagnada em tempo e espaço. Dominada pela inércia e convencida pela desesperança a manter-se deitada. Os pensamentos começaram a engarrafar e buzinar dentro do seu cerébro. Eram duas Liesel's, falando ao mesmo tempo. Dormir assim, era quase ímpossivel. Nem tentaria. Seria perda de tempo. Se bem que Liesel já não se importava em perder tempo. Perder tempo era ganhar tempo para o próprio tempo. Até que fazia sentido, mesmo que não tivesse nenhuma lógica nesse raciocínio. Estava mesmo perdendo a lucidez. Mas, um louco quando sabe que está louco, já não é mais louco. Ilógica, então. Ser ilógica, ultimamente, apesar de tomar-lhe o sono, estava ajudando. Distraía.