O que fazer, quando a atração pela morte, supera a vontade de viver ?

O pulso coçava muito no lugar do band-aid. Furá-lo de novo, foi uma decisão precipitada. Havia jurado não cortar mais. O lugar estava demasiadamente avermelhado. A noite não tivera sido fácil para Liesel, seu fiel companheiro, o vazio, tornava-se agora agressivo. Trazia com ele a atração cada vez maior pela morte. Liesel sabia o que isso significava. os sintomas eram claros... Olhar distante, desejo de solidão, apatia, longos periodos de imobilidade física, negativismo constante diante do mundo, sensação de fracasso e de impotência, e um certo ar de ausência onde quer que fosse...
Não queria se tornar uma menina depressiva, não de novo. Ou talvez quisesse, ou já estivesse. Era tão mais fácil deixar a areia movediça da tristeza ir sugando as forças... O pulso ainda coçava muito e estava com sangue quente, quando foi se deitar. Essa noite não pensara tanto em Cody, e de certo, não sonharia com ele. O fiel companheiro, o vazio, lhe ensinava a administrar os sonhos, e isso era bom...